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Atualizado: 7 minutos 49 segundos atrás

Mulheres em áreas em crise precisam de apoio em saúde sexual e reprodutiva

ter, 11/02/2020 - 19:37

Por Samira Sadeque , IPS –

É necessário focalizar a situação inesquecível de mulheres e meninas que vivem em áreas de conflito e, em particular, apoiá-las com serviços de saúde sexual e reprodutiva, exigidos em um plano de ação humanitário 2020, a agência da ONU para a população.

Atualmente, existem mais de 168 milhões de pessoas que precisam de ajuda financeira no mundo, disse o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) na quinta-feira, dando uma imagem da situação. O fundo projeta que, durante este ano, 45 milhões de mulheres e meninas serão afetadas por seus direitos devido a algum tipo de conflito.

Para mulheres e meninas, os direitos à saúde sexual e reprodutiva muitas vezes se tornaram um problema secundário em situações de crise, mas especialistas dizem que é hora de torná-los uma preocupação primária.

O UNFPA exige 683 milhões para tratar do direito à saúde sexual e reprodutiva de mulheres e meninas em 57 países em crise. Crédito: Abdurrahman Warsameh / IPS

Segundo o UNFPA, para isso, é necessário um financiamento de 683 milhões de dólares, conforme destacado no plano divulgado na quinta-feira 6.

“Esses tipos de serviços há muito são esquecidos”, disse à IPS Arthur Erken, diretor da Divisão de Comunicações e Parcerias Estratégicas do UNFPA. “Não deve ser uma ideia que seja última, deve ser parte integrante de (toda a preocupação)”, acrescentou.

“Estamos focando nas mulheres e no que elas estão passando, porque estão na linha de frente”, disse à IPS Ann Erb Leoncavallo, do UNFPA. “Eles estão tentando cuidar de seus filhos, estão grávidas, estão tendo bebês, estão sendo bombardeados, sofrem inundações, água sobe, muitas outras coisas”, disse ele.

Leoncavallo acrescentou que muitas das mulheres em áreas de conflito podem liderar famílias monoparentais ou ter seu próprio trauma. “Eles ficam deprimidos, ficam traumatizados porque enfrentam um aumento na violência de gênero”, disse ele.

Os US $ 683 milhões serão utilizados para esforços em prol dos direitos à saúde sexual e reprodutiva das mulheres em 57 países, dos quais cerca de 300 milhões serão destinados a projetos do UNFPA em países como Síria, Iêmen, Iraque, Sudão e Somália. .

Para ajudar as mulheres a procurar ajuda, desaprender sua vergonha e estigma, o UNFPA está atualmente trabalhando com “espaços seguros para mulheres e meninas”, onde podem fazer uma pausa em seus ambientes hostis e atividades diárias.

Nesses espaços seguros, estabelecidos, por exemplo, nos campos de refugiados, as mulheres podem conhecer outras pessoas, compartilhar experiências, relaxar e ter um ambiente seguro para discutir sua situação e pedir ajuda, explicou Erken.

O objetivo de criar espaços nos quais os homens não podem entrar, explicou, é prestar muita atenção às mulheres, proporcionando-lhes um local onde elas possam se sentir calmas e obter serviços de consultoria sobre os assuntos que lhes dizem respeito.

Algo também importante, explicou o funcionário do UNFPA, é que a mulher não sofre estigma quando vai a esses espaços, como foi percebido nos campos de refugiados na Jordânia que possuem essas instalações.

Além disso, para manter a privacidade, os prestadores de serviços especiais das mulheres as visitam quando seus filhos estão na escola e seus maridos estão ocupados em outro lugar.

Afrah Thabet al Ademi, médica do UNFPA no Iêmen, que trabalha com mulheres que escaparam do conflito naquele país árabe, diz que a educação tem um papel a desempenhar na “desvalorização” desses serviços para a população refugiada.

De fato, o Fundo solicita não menos de US $ 100,5 milhões especificamente para o Iêmen, a maior quantia de todos os países em crise, onde se propõe a fornecer novos serviços de saúde sexual e reprodutiva para as mulheres.

“Muitas mulheres que não têm educação, se sentem agredidas e se sentem estigmatizadas se expressarem suas necessidades sobre o assunto ou no planejamento familiar”, disse Al Ademi à IPS.

O médico lembra como exemplo uma ocasião em que ela conheceu uma mulher que acabara de dar à luz e teve seu filho meio coberto com um véu. “Quando ele expôs o bebê, vi que ele o havia coberto com o papel de um material informativo, porque ele não tinha roupas para ele”, disse ele.

A partir disso, o UNFPA no Iêmen desenvolveu um kit para mães de recém-nascidos, que estará disponível para qualquer mulher que vier a dar à luz.

“Roupas para seus bebês é dar-lhes dignidade”, disse Al Ademi.

O “kit mãe”, o nome que eles deram a ele, tem roupas para o bebê, almofadas para a mãe, cobertores e fraldas, entre outras coisas para o recém-nascido e sua mãe.

O UNFPA também está alocando fundos para a República Democrática do Congo, Síria, Sudão, Bangladesh e Venezuela para ajudar na saúde sexual e reprodutiva das mulheres nesses países em diferentes crises humanitárias.

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Superando a grande divisão de financiamento de gênero na África

qua, 22/01/2020 - 18:25

NAIROBI, 22 de janeiro de 2020 (IPS) – O que existe entre Soi Cate Chelang e seu sonho de transformar seu pequeno negócio de móveis feitos de paletes em uma grande empresa é o capital. No Quênia, Chelang pode muito bem ser pioneira em fabricar móveis com paletes – plataformas de madeira usadas para empilhar mercadorias para transportá-las.

Embora não tenha formação formal em carpintaria, Chelang contou à IPS que ela vem de uma grande família de carpinteiros, tendo treinado com o avô e o tio. E o que ela não sabe, ela aprende com lições on-line sobre carpintaria. Ela começou o negócio há mais de uma década – antes que alguém o fizesse – e seus produtos são populares entre os consumidores.

“Meus desenhos destacam-se, porque eu combino muitos elementos diferentes. Não se trata apenas de transformar madeira em um assento. Uso tecidos coloridos e as clientes gostam de tecidos que iluminam suas casas. Também faço móveis infantis a partir de paletes e uso tecidos com desenhos populares”, explicou Chelang. Ela vende seu sofá-palete doméstico de três lugares por US$ 100 a US$ 300, dependendo do design e do material usado.

Crédito insuficiente para crescer

Os clientes procuram seus serviços por meio de suas páginas de mídia social, onde ela comercializa seus produtos com o nome Soi Pallet Designs. Mas essa mulher de 35 anos está preocupada com o fato de a oportunidade de lucrar com seus projetos únicos estar passando por ela.

“Não tenho dinheiro para montar uma oficina e um showroom adequados. Não posso assinar contratos para fazer cadeiras de paletes para grandes clubes de entretenimento da cidade porque não tenho capital para financiar pedidos tão grandes”, detalhou Chelang, explicando que esses clubes estão interessados em seus projetos. “Consegui entregar uma encomenda de US$ 5 mil em 2018 porque um dos meus mentores forneceu capital para financiar o pedido”, observou.

Mas isso foi uma vez. Porque, sem garantia, os bancos concederão a ela um empréstimo comercial. Então, por enquanto, ela tem que fazer por encomenda. Mesmo nesse caso, seus clientes devem primeiro pagar de 30% a 50% do custo total, para permitir que ela compre materiais e pague alguns de seus custos de mão de obra.

“Trabalho com três carpinteiros que pago diariamente. Só aceitamos um pedido de cada vez, porque não tenho uma oficina adequada e não posso contratar mais”, acrescentou Chelang. Essas circunstâncias limitam seus negócios à sua casa, na cidade de Kisumu, a cerca de 350 quilômetros da capital do Quênia, Nairobi.

Crédito tradicional não disponível

Mas a incapacidade de Chelang de expandir seus negócios não é uma história nova. De acordo com o Índice Mastercard de Mulheres Empresárias de 2017, a falta de capital é um dos principais desafios para as mulheres que fazem negócios na África hoje, especialmente na África Subsaariana. Apesar de os dados do relatório Global Entrepreneurship Monitor (GEM) de 2017-2018, mostrarem que a África Subsaariana assumiu a liderança como a única região em que as mulheres formam a maioria dos trabalhadores independentes.

    • De acordo com o relatório GEM, globalmente, a África tem atitudes mais positivas em relação ao empreendedorismo, pois 76% dos adultos em idade ativa consideram o empreendedorismo uma boa opção de carreira, enquanto outros 75% acreditam que os empresários são admirados em suas sociedades.
    • Na última década, o número de mulheres que ingressaram no empreendedorismo está em constante crescimento, afirma o relatório GEM. As mulheres são desenvolvedores de alta tecnologia no Quênia ou, como Chelang, estão provocando ondas no setor informal.
    • As empresárias também estão no negócio de fabricação de aço na África do Sul e nos negócios de processamento de cacau na Costa do Marfim e na maior região da África Ocidental.
    • Ainda mais impressionante, o Índice Mastercard de Mulheres Empreendedoras 2017 indica que Uganda e Botsuana têm a maior porcentagem de mulheres empreendedoras do mundo. Outros países desta liga incluem Quênia, Gana, Nigéria e Zâmbia.

As mulheres empreendedoras devem ganhar com o financiamento de ações afirmativas do Banco Africano de Desenvolvimento. Foto: Miriam Gathigah/IPS

Estabelecer estruturas financeiras duradouras

Ciente das restrições financeiras que as mulheres enfrentam nos negócios, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) está envidando esforços conjuntos para abordar a crescente lacuna de financiamento, de US$ 42 bilhões, entre empresários masculinos e femininos na África. Para suprir essa lacuna, os chefes de Estado africanos lançaram o programa Ação Financeira Afirmativa para Mulheres na África (Afawa) em 2016.

    • Como uma iniciativa pan-africana conjunta entre o BAD e o Fundo Africano de Garantia, o Afawa é um mecanismo de compartilhamento de empréstimos de risco para empresas pertencentes e lideradas por mulheres.
    • Durante a mais recente Cúpula Global de Gênero, realizada em Kigali, em novembro de 2019, a Afawa foi oficialmente lançada em Ruanda. O programa de ação afirmativa recebeu um compromisso de US$ 1 milhão do governo ruandês. Ainda em 2019, os líderes do G7 aprovaram um pacote no total de US $ 251 milhões em apoio à Afawa.
    • Além disso, o Attijariwafa Bank, um banco comercial multinacional marroquino, e o Fundo Africano de Garantia assinaram um Memorando de Entendimento de US$ 50 milhões para empréstimos de risco para mulheres com garantias parciais.

Usando uma abordagem holística, este programa de ação afirmativa abordará os principais fatores que prejudicam as mulheres na África, incluindo o acesso a produtos e serviços financeiros, como empréstimos. Consequentemente, esses serviços financeiros também serão acessíveis e de baixo custo.

O financiamento da Afawa liberará US$ 3 bilhões em crédito para mulheres em empresas e empreendimentos na África. Para esse objetivo, o programa trabalhará com bancos comerciais e instituições de microfinanças existentes para projetar mudanças estruturais duradouras, em benefício das mulheres de todo o continente.

Além disso, haverá um sistema de classificação para avaliar as instituições financeiras com base na extensão em que emprestam às mulheres e no consequente impacto socioeconômico. As principais instituições receberão termos preferenciais do banco pan-africano.

Empresas sustentáveis de propriedade de mulheres contribuirão para a economia

Especialistas financeiros, como Irene Omari, dizem que o Afawa é importante para a inclusão financeira das mulheres. Bancária e empresária líder na cidade de Kisumu, Omari disse à IPS que “os bancos não levam a sério as mulheres empresárias. Os bancos ainda estão longe de abraçar as mulheres que fazem negócios. Ainda somos consideradas de risco muito alto pelas instituições financeiras porque não temos garantias”.

Como única proprietária da Top Strategy Achievers Limited, uma empresa com uma marca de vários milhões de xelins, Omari está familiarizada com os desafios financeiros que as mulheres enfrentam atualmente nos negócios. “Comecei a trabalhar aos 23 anos no setor de hospitalidade. Eu também atuei como uma pessoa intermediária entre empresas de marca e clientes. Na cidade de Kisumu, esses serviços eram difíceis de encontrar. Guardei todas as moedas que ganhei e as usei como capital”, contou.

Omari registrou sua empresa em 2013 e iniciou suas operações no mesmo ano, enquanto ainda trabalhava em um banco local. “Meu salário pagou as duas equipes que eu tinha no começo, aluguel de escritório e todas as outras despesas gerais até que a empresa pudesse manter-se em pé”, explicou. Mulheres como Chelang não são consideradas rentáveis, e são significativamente limitadas na criação de infraestruturas físicas sólidas para impulsionar o crescimento e a sustentabilidade de seus negócios, acrescentou.

“Esta é a razão pela qual as mulheres trabalham por conta própria, basicamente para si mesmas, e não no empreendedorismo, em que há o maior número possível de funcionários a bordo”, apontou Omari. No seu caso, ela é uma empresária e não precisa estar no local de trabalho o tempo todo, porque o negócio pode prosperar e ser sustentável, mesmo na sua ausência. No trabalho por conta própria, a presença do proprietário da empresa acontece o tempo todo.

Francis Kibe Kiragu, professor de estudos de gênero e desenvolvimento da Universidade de Nairóbi, disse à IPS que, embora as mulheres tenham demonstrado suficientemente o desejo de administrar suas próprias empresas, elas sofrem uma exclusão financeira prejudicial. “As mulheres por conta própria ou empreendedoras são, portanto, motivadas pela necessidade e não pela inovação. Eles só querem atender às suas necessidades básicas e, como resultado, são percebidas como contribuindo muito pouco para a economia”, observou.

Devido a esses desafios, Kiragu pontuou que as mulheres têm mais probabilidade do que os homens de interromper a administração de um negócio. O relatório GEM 2017 confirma a sua afirmação, pois indica que, embora a África possa ter o maior número de mulheres executando startups, o número de mulheres com empresas estabelecidas é menor.

De fato, apenas na região da África Subsaariana, há duas mulheres iniciando um novo empreendimento para cada mulher que administra uma empresa estabelecida, indica o relatório. “Comecei a projetar, fabricar e comercializar meus móveis de paletes aos 25 anos. Dez anos depois, ainda estou enfrentando os mesmos desafios financeiros que enfrentei quando comecei. Muitas vezes cheguei perto de abandonar esse sonho e encontrar emprego”, contou Chelang.

Através do Afawa, espera-se que mulheres como Chelang em breve possam alavancar instrumentos financeiros em seu benefício e de seus negócios.

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O futuro da alimentação na África realmente está com os jovens agricultores?

qui, 09/01/2020 - 10:14

IBADAN, Nigéria, 9 de janeiro de 2020 (IPS) – A África passará fome ou sobreviverá com importações caras de alimentos, porque não está cultivando novos agricultores, mostra uma pesquisa. E o desafio de atrair os jovens africanos para a agricultura permanece entre pesquisadores, formuladores de políticas, e atores do setor público e privado, em um continente onde um número crescente de pessoas vai dormir com fome todas as noites.

O Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA), um instituição de pesquisa global que gera inovações agrícolas para enfrentar os desafios mais prementes da África, como fome, desnutrição e pobreza, promove há muito tempo vários programas para atrair e manter os jovens na agricultura.

Entretanto, tem sido uma tarefa difícil convencer os jovens de que a agricultura é a chave para a criação de empregos na África, disse à IPS a diretora-geral do IITA Nteranya Sanginga. “Eu pedi que os jovens definissem o que é a agricultura. Para eles, agricultura é dor, penúria e pobreza. Precisamos transformar essa mentalidade e fazê-los entender que a agricultura pode ser uma fonte de riqueza, negócios e prazer”, destacou

Em 2012, a instituição lançou o IITA Youth Agripreneur, um programa que inscreve, a cada ano, 60 jovens para treinamento prático em agricultura e empreendedorismo em 24 centros da África. Sanginga enfatizou que, a menos que a África promova novos agricultores inovadores, o continente estará à mercê de outras regiões por sua segurança alimentar.

    • A África tem 257 milhões de pessoas famintas, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).
    • Embora a África conte com 65% das terras aráveis e não cultivadas do mundo e recursos hídricos adequados, o continente gasta mais de US$ 35 bilhões anualmente importando alimentos – uma projeção do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) indica que pode atingir US$ 110 bilhões em 2025.
    • Cerca de 237 milhões de pessoas na África Subsaariana estão com desnutrição crônica, o que inviabiliza os ganhos já alcançados na erradicação da fome e da pobreza, constata a FAO no relatório conjunto de 2019, Visão Regional da África sobre Segurança e Nutrição Alimentar.
    • O relatório destaca a necessidade de se acelerar as ações para atingir a meta de desenvolvimento sustentável da ONU de alcançar a fome zero e as metas nutricionais globais em meio aos desafios do desemprego dos jovens e das mudanças climáticas.
    • “A agricultura e o setor rural devem desempenhar um papel fundamental na criação de empregos decentes para os 10 a 12 milhões de jovens que ingressam no mercado de trabalho a cada ano”, afirma a FAO.
    • No cerne do desafio alimentar está a diminuição da mão de obra. Os pequenos agricultores mantêm a África alimentada. A agricultura contribui com cerca de 30% para o PIB do continente, mas o setor é prejudicado pela baixa produtividade e pouco investimento, e a idade média de um pequeno agricultor na África é de 60 anos. No entanto, jovens agricultores não estão sendo formados com rapidez suficiente para diminuir a brecha de trabalho na produção agrícola.
    • A agricultura tem uma imagem negativa, de não ser atraente o suficiente para os jovens mais ambiciosos e experientes em tecnologia, que preferem se apertar nas áreas urbanas do que se tornar agricultores.
    • “Quando projetamos a agricultura como uma oportunidade econômica viável para jovens, devemos dizer a eles que é um processo e que é necessário sujar as mãos”, aponta Lawrence Afere (35), fundador da Springboard, uma rede online de produtores rurais no estado de Ondo, na Nigéria. O Springboard está trabalhando com mais de três mil membros em seis estados da Nigéria, plantando banana, feijão e arroz. A rede fornece insumos e treinamento para os agricultores e compra de volta os produtos para processar e agregar valor.

Tem sido uma tarefa difícil convencer os jovens de que a agricultura é fundamental para criar empregos na África, declarou à IPS a diretora-geral do IITA, Nteranya Sanginga. Crédito: Busani Bafana/IPS

As soluções para combater o desemprego juvenil na África são variadas, mas uma solução fundamental é vender a agricultura como empresa, argumentou Sanginga, que iniciou o Programa Start Them Early (STEP), que promove estudos do agronegócio junto a estudantes de escolas primárias e secundárias por meio da participação em clubes, trabalhos durante o curso e aprendizagem experimental. Além disso, o IITA adotou uma abordagem de pesquisa para atrair os mais jovens para a agricultura.

    • O instituto lançou um programa de bolsas de estudos e pesquisa de três anos, chamada Enhancing Capacity to Apply Evidence Research (Care), uma política para o envolvimento dos jovens no agronegócio e nas atividades econômicas rurais na África.
    • A bolsa de estudos orientada para a ação tem como alvo jovens acadêmicos e profissionais e estudantes de pós-graduação na fase de pós-curso ou pesquisa de seus programas. É financiado pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida) e concedeu 30 dessas bolsas em 2019.
    • Oferece também oportunidades aos jovens, melhorando a disponibilidade e o uso de evidências para políticas inclusivas e “amigas dos jovens” sobre o envolvimento dos jovens no agronegócio e nas atividades econômicas rurais. A duração da pesquisa é de seis meses e os jovens são treinados na produção de evidências de pesquisa para a formulação de políticas.

O pesquisador universitário Akilimali Ephrem é um bolsista de 2019 no programa Care. Ele está pesquisando características de agricultores bem-sucedidos na República Democrática do Congo (RDC). “Identifiquei que os jovens não são atraídos pela agricultura e subestimam o valor dela, e isso tem a ver com a nossa cultura na RDC ”, ressaltou em entrevista à IPS.

“Os jovens estão lutando para conseguir emprego e estão concluindo seus estudos, e vi que esse projeto da Care é um caminho a seguir, porque examina a melhor maneira de envolver os jovens no agronegócio como uma alternativa de emprego”, pontuou Akilimali. O título da sua pesquisa é Normas Sociais Percebidas, Capital Psicológico e Intenção Empresarial dos Jovens na RDC.

“Todo mundo está dizendo que os jovens devem encontrar uma vida na agricultura e no agronegócio, mas ninguém nunca perguntou se esses jovens gostariam de fazê-lo ou desejam fazê-lo. Provavelmente deveríamos começar aumentando seu desejo de ingressar no agronegócio, caso contrário estaremos mirando nas pessoas erradas”, observou Akilimali, que identificou o capital psicológico – uma mentalidade positiva para o desenvolvimento – como um ingrediente essencial para qualquer empresário bem-sucedido no agronegócio.

    • Os jovens na África representarão 42% da população jovem global e 75% das pessoas com menos de 35 anos no continente, de acordo com a Folha de Dados da População Mundial de 2019, publicada pelo Population Reference Bureau, uma organização baseada nos Estados Unidos que informa sobre população, saúde e meio ambiente.
    • Na linguagem dos jovens, a agricultura não é “legal” por causa de sua associação com longas horas de trabalho árduo no campo, com pouco ganho.
    • O acesso limitado a crédito, financiamento, terra e tecnologia apropriada para aumentar a produtividade combinou-se para excluir os jovens do negócio da agricultura.

Os mercados de alimentos e bebidas da África devem atingir US$ 1 trilhão até 2030, segundo o BAD. Akinumwi Adesina, presidente do BAD, afirmou que tornar a agricultura lucrativa e “legal” para os jovens por meio do investimento é a solução para tirar milhões de africanos da pobreza e um modo de conter a maré da migração de jovens para a Europa em busca de uma vida melhor.

Mas o pesquisador de desenvolvimento Jim Sumberg, do Institute of Development Studies no Reino Unido, não está convencido de que a agricultura seja a bala de prata. Ele ponderou que a ideia de agricultura como um vasto domínio de oportunidades empresariais para jovens está sendo vendida em excesso, observando que existem oportunidades para alguns, mas para outros é um caso de trabalho árduo com pouca recompensa.

“Acredito que a ideia de que uma grande parte dos jovens esteja deixando áreas rurais e/ou a agricultura seja exagerada”, opinou Sumberg à IPS por e-mail. “Não há evidências reais. Além disso, por que alguém ia querer ‘atrair’ os jovens para um trabalho tedioso e mal remunerado? Isso não faz sentido! É verdade que uma agricultura modernizada fornecerá algumas oportunidades de emprego (para jovens e outros), mas duvido que sejam os milhões e milhões de empregos frequentemente prometidos”.

Sumberg declarou que tem pouca paciência com a ideia de mudar a mentalidade das pessoas, para que elas vejam “a agricultura como um negócio”. Só pode ser um negócio se houver potencial de lucro e, no momento, existem muitas situações em que o potencial não existe.

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Pedido que políticos africanos desenvolvam instrumentos legais de combate às mudanças climáticas

sex, 06/12/2019 - 21:30

MADRI, 6 de dezembro de 2019 (IPS) – Os legisladores africanos foram desafiados a criar estruturas legais para as mudanças climáticas, para permitir que os países evitem catástrofes e emergências que consomem seus orçamentos. “Os países africanos estão gastando até 3,9% de seu PIB em emergências climáticas, que em muitos casos não foram orçadas”, apontou James Murombedzi, chefe do Centro de Política Climática da África (ACPC) da Comissão Econômica das Nações Unidas para a África (Uneca).

Durante um evento paralelo da 25ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP25), em Madri, Espanha, especialistas em clima, organizações da sociedade civil e representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) observaram que os legisladores nos países africanos deveriam integrar a mudança climática em todos os seus planos nacionais de desenvolvimento como forma de adaptação ao fenômeno.

Isso ocorre no momento em que a região da África Oriental está passando por inundações sem precedentes, devido à forte chuva, 300% acima da média, que está ocorrendo durante o que deveria ser uma curta estação chuvosa. Nas últimas duas semanas, as inundações mataram mais de cem pessoas somente no Quênia, deslocando centenas de famílias, destruindo margens de rios, represas e até casas.

    • Segundo os cientistas meteorológicos, isso ocorre por causa da oscilação irregular da temperatura da superfície do mar, um fenômeno climático conhecido como dipolo do Oceano Índico.
    • As inundações na África Oriental estão ocorrendo apenas alguns meses após os ciclones Idai e Kenneth varrerem a região da África Austral, afetando mais de 2,2 milhões de pessoas em Moçambique, Zimbábue e Malawi.
    • Em geral, as análises da Save the Children, uma organização de defesa dos direitos da criança, mostram que, somente em 2019, mais de 1,2 mil pessoas morreram como resultado de ciclones, inundações e deslizamentos de terra em Moçambique, Somália, Quênia, Sudão e Malawi, que também deixaram pelo menos 33 milhões de pessoas em níveis de emergência de insegurança alimentar, ou pior. Isso teve uma enorme implicação financeira de milhões de dólares, em países, agências humanitárias e famílias individualmente.

“O que vamos dizer ao nosso povo?”, perguntou Roger Nkodo Dang, presidente do Parlamento Pan-Africano durante um evento na COP25. “Como legisladores africanos, precisamos desempenhar nosso papel e depois falar com uma só voz para pedir financiamento, a fim de desenvolver resiliência”, destacou.

Na África, as mudanças climáticas causaram secas, alterações na distribuição das chuvas, rios secos. Intensas inundações causam deslizamentos de terra e, no Quênia, os residentes do Condado de West Pokot estão atualmente enfrentando a morte de 50 pessoas que foram enterradas vivas, na semana passada, por deslizamentos de terra após fortes chuvas que continuam atingindo a região da África Oriental. Foto: Isaiah Esipisu/IPS

Segundo Gareth Phillips, gerente de Finanças Climáticas e Ambientais do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), os políticos africanos podem tirar proveito com ações climáticas, mas apenas se houver estruturas legislativas sólidas. “Podemos começar promulgando legislação que incentive metas de energia renovável e obrigações de combustíveis não fósseis, retire subsídios aos combustíveis fósseis e, ao mesmo tempo, forneça subsídios para as energias renováveis, e atenda aos padrões de eficiência energética, de construção e de desempenho”, afirmou.

Philips pediu que eles se concentrassem na adaptação, em vez da mitigação, e tirassem vantagem do Mecanismo de Benefícios da Adaptação – um novo procedimento que está sendo desenvolvido pelo BAD, projetado para facilitar pagamentos a desenvolvedores de projetos que integrem benefícios de adaptação certificados. Os delegados examinaram o papel dos parlamentares africanos na implementação do Acordo de Paris, com foco em desafios e perspectivas.

    • Sob o Acordo, todas as partes deveriam enviar suas Contribuições Determinadas Nacionalmente (NDCs), que são um conjunto de intervenções preparadas pelos países para contribuir para a redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) e adaptação aos impactos das mudanças climáticas.

No entanto, de acordo com as conclusões preliminares de um estudo em andamento, encomendado pela Aliança Pan-Africana para a Justiça Climática (PACJA) em oito países selecionados – Botsuana, Etiópia, Gabão, Costa do Marfim, Quênia, Nigéria, Tanzânia e Zâmbia –, ainda há um longo caminho a percorrer para os países africanos implementarem os NDCs sugeridos.

“Está claro que muitos países não possuem estruturas legais sobre mudanças climáticas, que deveriam ser o principal veículo para a implementação do Acordo de Paris”, destacou à IPS Mithika Mwenda, secretário executivo da PACJA. Países como o Quênia, que tem sua Política Nacional de Mudanças Climáticas em vigor, foram vistos progredindo melhor do que aqueles sem.

“Com essa política, conseguimos integrar a mudança climática em todos os planos nacionais de desenvolvimento, facilitando a alocação de recursos orçamentários para atividades específicas diretamente relacionadas à mudança climática”, afirmou à IPS Charles Mutai, diretor de Mudança Climática do Ministério de Ambiente e Recursos Naturais do Quênia.

Com base na legislação nacional, os governos dos condados seguiram o exemplo, e seis deles já promulgaram legislações específicas sobre mudança climática, o que lhes permitiu alocar diretamente fundos para adaptação e atividades relacionadas.

No entanto, de acordo com o novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a menos que as emissões de GEE caiam 7,6% ao ano entre 2020 e 2030, o mundo perderá a oportunidade de seguir o caminho da meta de temperatura de 1,5°C do Acordo de Paris, e isso é um indicador de desastres climáticos ainda mais devastadores do que o que está sendo vivenciado no momento.

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Quando as mulheres africanas são financeiramente incluídas, todo um continente ganha

ter, 26/11/2019 - 21:58

KIGALI, 26 de novembro de 2019 (IPS) – Quando Kristine Ngiriye, empresária nascida em Ruanda e criada no Senegal, tinha 18 anos, teve uma ideia brilhante que queria traduzir em um negócio. No entanto, quando foi ao banco local pedir um empréstimo, disseram que ela se casasse, porque “uma mulher deve casar-se em vez de aventurar-se nos negócios”, contou à IPS.

Embora isso tenha acontecido há mais de duas décadas, as mulheres na África são claramente discriminadas com frequência quando se trata de ter acesso a investimentos e capital. Essa questão foi um dos principais pontos de discussão na Cúpula Global de Gênero, organizada pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), que acontece de 25 a 27 de novembro na capital de Ruanda, Kigali.

Com a presença de cerca de 300 mulheres de negócios, formuladores de políticas e líderes políticos, incluindo a presidente da Etiópia, Sahle-Work Zewde – a única mulher presidente no continente –, as participantes aprenderam que, embora as mulheres africanas contribuam não apenas para melhorar suas vidas, mas também as de suas famílias, cerca de 70% delas são financeiramente excluídas. Muitas mulheres são rejeitadas, mesmo quando economizam e oferecem garantias para um empréstimo, e, nos raros casos em que recebem crédito, este é considerado de “alto risco”.

Akinwumi Adesina, presidente do BAD, lembrou aos presentes, no painel de discussão intitulado Desfazendo Restrições à Igualdade de Gênero, que os formuladores de políticas e até os banqueiros deveriam prestar contas às mulheres. “Vamos ser inteligentes e sábios: as mulheres são os melhores investimentos que qualquer sociedade pode fazer. Quando ganham, gastam 90% de sua renda com suas famílias, inclusive com os maridos”, destacou.

Ngiriye é um exemplo disso. Sua mãe esforçou-se para ser sua garantia e, no final, sua jornada de negócios levou-a a fundar a Entreprenarium em 2014. “Meu negócio está hoje aqui depois que uma mulher, minha mãe, comprometeu-se em ser minha garantia. Com todo o apoio que recebi ao longo da jornada, decidi ajudar outras mulheres empreendedoras a construir seus negócios e a crescer”, declarou Ngiriye à IPS.

A lista de sucessos de Ngiriye é longa e seu impacto é abrangente. A Entreprenarium é descrita, em sua página no Facebook, como “a primeira aceleradora filantrópica pan-africana, que ajuda empreendedores a iniciar e sustentar negócios inovadores para impulsionar a prosperidade da África”. Desde que a aceleradora foi fundada, cerca de dois mil empreendedores foram treinados em toda a África – a Entreprenarium possui escritórios em Libreville, Kigali, Dakar, Abidjan e Bruxelas –, com US$ 2,1 milhões investidos em assistência técnica e no financiamento de 52 projetos.

Kristine Ngiriye tinha 18 anos e teve uma ideia brilhante que queria traduzir em um negócio. Mas os banqueiros disseram-lhe para se casar. Agora, CEO de uma consultoria que oferece serviços especializados para governos e empresas, e fundadora da Entreprenarium, uma aceleradora para mulheres africanas empreendedoras, ela causou um enorme impacto nos negócios de todo o continente. Foto: Cortesia da Entreprenarium

Além disso, Ngiriye é chief executive officer (CEO) da KN & Partners, uma consultoria que oferece serviços especializados a governos e empresas, que incluem marketing político e desenvolvimento de negócios internacionais. Ngiriye ainda acredita que, embora as mulheres de negócios tenham percorrido um longo caminho desde que ela começou, a percepção dos homens sobre a capacidade de uma mulher realizar seus sonhos não mudou.

“O que está acontecendo atualmente com essas mulheres é exatamente o que vivi, que é a falta de acesso a financiamento e assistência técnica. Posso dizer que, após os últimos 27 anos, nada mudou. Talvez tenham um pouco mais de sorte do que eu em ter um continente cheio de possibilidades”, ponderou Ngiriye.

Em uma tentativa de mudar o status quo das mulheres e o financiamento, o BAD lançou, em 2016, a Ação de Finanças Afirmativas para Mulheres na África (Afawa), com o objetivo de mobilizar US$ 3 bilhões em novos empréstimos de bancos e instituições financeiras para mulheres africanas. Durante a cúpula do G7, em agosto deste ano, os líderes aprovaram um pacote totalizando US$ 251 milhões em apoio à Afawa.

    • Em 2018, o BAD fez parceria com a Entreprenarium para treinar mil mulheres empresárias no desenvolvimento de negócios e em gestão financeira em todo o continente.

Kennedy Uzoka, diretor administrativo do Grupo United Bank of Africa (UBA Group) ecoou as observações de Adesina, afirmando à IPS que as mulheres não devem ser retidas por não possuírem propriedades. “O acesso a financiamento é um problema para todos, mas é pior para as mulheres. Os bancos comerciais, na maioria das jurisdições, querem garantias e, desde o início, as mulheres estão em desvantagem porque não têm ativos”, apontou.

    • O continente tem uma lacuna de financiamento de US$ 42 bilhões entre homens e mulheres.
    • Prevê-se que eliminar a diferença de gênero na África aumentará a economia global em US$ 28 trilhões até 2025.

Josephine Anan-Ankomah, executiva de operações bancárias comerciais do grupo Ecobank, acredita que a tecnologia pode ajudar a diminuir a divisão financeira entre homens e mulheres. O banco possui um sistema de pagamento digital chamado EcobankPay, que também concede empréstimos a mulheres que usam esse serviço, mesmo que seu fluxo de caixa seja inconsistente. “Precisamos inovar e emprestar à mulher contra o fluxo de caixa que elas estão trazendo”, opinou à IPS.

A primeira-dama de Ruanda, Jeannette Kagame, defendeu que se tenha consciência de gênero. Ela ressaltou aos participantes que mulheres em desvantagem deve ser uma coisa do passado, acrescentando que os formuladores de políticas devem ser deliberados na colocação de mulheres e meninas no centro de estratégias e decisões transformadoras.

“Isso exige que cada um de nós desempenhe nosso papel: mulheres e meninas – precisamos nos organizar e sermos guardiãs umas das outras. Juventude – você deve ser proativa em tomar sua vida com suas próprias mãos e apontar a desigualdade onde quer que seja percebida. Você tem o que é preciso para prosperar neste mundo em rápida mudança”, enfatizou Kagame.

    • Ruanda já tem a maior proporção do mundo de representação feminina no parlamento: 61% de seus parlamentares são mulheres.

Kagame pediu, ainda, aos parceiros e partes interessadas, que sejam inovadores e implacáveis em seus compromissos de investir em mulheres e meninas e nivelar o campo para todos.

Durante a cúpula, os participantes uniram-se ao resto do mundo para homenagear os 16 dias de ativismo contra a violência baseada em gênero. Os 16 dias começam em 25 de novembro de cada ano, que marca o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, e dura até 10 de dezembro.

A presidente da Etiópia disse que não haverá progresso no continente se as meninas forem deixadas para trás. “É hora de passar da retórica à ação, das palavras às atitudes. Temos que ter a humildade de descer a escada para fazer a diferença”, enfatizou Zewde.

* Com Nalisha Adams, de Joanesburgo

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